quinta-feira, 9 de agosto de 2018

CAN YOU GET NO SATISFACTION?


Todo mundo tem ideais. É bonito pensar em ideais coletivos, mas sabemos que isso é improvável. Ideais coletivos são apenas imposição do que um grupo acredita ser o ideal.
Mas o que é o ideal pra mim pode não ser o ideal de outra pessoa. E o ideal do outro não é menor, mais feio, mais sujo, mais baixo do que o meu só por ser diferente.
Em qualquer batalha nunca há só dois lados. Os lados são múltiplos. E vou considerar qualquer lado que não seja o meu como oposto.
Quando a batalha termina pode-se pensar que um lado ganhou. Que seja! Venceu não necessariamente a melhor ideia, já que cada um acha que a melhor ideia é a sua. Mas uma ideia venceu, um pensamento prevaleceu. Que se estabeleça uma trégua!
De nada adianta amigos ou simples colegas ficarem com acusações, intrigas, comentários sobre quem fez ou não fez isso e aquilo, quem devia e quem não devia, suposições, suspeitas, como deveria ter sido ou o que não deveria ter sido, gente acusando, gente rebatendo, gente se explicando...
Gente... acabou!
Nada dessas vingancinhas, maledicências ou adaptações light dos antigos “justiçamentos” vai servir pra alguma coisa.
Nada muda o ontem e nada garante o amanhã.
O hoje está definido. Vamos viver isso, dia-a-dia.
Todos temos mágoas, raivas, coisas a cobrar, desmandos a acusar. Mas com isso só vamos conseguir manter o clima de pressão no qual pensamos que iríamos por um fim ao escolhermos um ideal pra acatar.
Quem se dá bem não ficando satisfeito nunca é banda de rock. Mesmo assim, só uma!
Voltemos à vida normal. Cada um cuidando da sua, que, afinal, é o máximo que qualquer ser humano realmente consegue fazer.


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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

FORA DO BRASIL


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GENTE BOA!


“Eu desisto! Não existe essa manhã que eu perseguia. Um lugar que me dê trégua ou me sorria. Uma gente que não viva só pra si. Só encontro gente amarga mergulhada no passado procurando repartir seu mundo errado nesta vida sem amor que eu aprendi”.
Taiguara lançou essa música em 1974. Há 44 anos. E a toda hora a vida faz com que me lembre dela.
De tempos em tempos parece que o mundo em volta de mim enlouquece. Gente acusando, gente reclamando, gente difamando, gente se aproveitando pra destruir desafetos, gente fazendo promessas, gente fazendo ameaças, julgando, condenando.
Gente interferindo com a vida de muita gente  pra manter uma posição equivocada, às vezes não merecida. Em toda parte! Parece um comportamento transmitido por algum tipo de mosquito que se reproduz de tempos em tempos, uma endemia.
Enfim, talvez não exista mesmo essa manhã que eu perseguia...
Mas... não! Eu não desisto!
Minha gente não merece desistências. Minha gente merece fé. E eu tenho fé. Ainda acredito que minha gente, na verdade, é boa gente.
Gente boa.


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domingo, 1 de abril de 2018

PÁSCOA


Festa cristã. Não sou lá muito cristão, embora, sendo brasileiro, tenha uma formação compulsória mais ou menos baseada no cristianismo. Por aqui, todos sabemos, até ateu diz “Graças a Deus”, curte um presente de Natal e adora um ovinho de chocolate na Páscoa. Sem contar o fato de que ninguém se queixa dos feriados prolongados que o laicismo de mentirinha proporciona a todos nós.
Mas mesmo sem ser um praticante, culturalmente sei de datas, fatos, histórias, lendas. E me pego pensando em coisas ligadas a tudo isso durante o tríduo Endoenças-Aleluia-Páscoa.
Época de renovação. Época de revitalização, palavra com significado óbvio de reviver, ressuscitar, fazer voltar a vida perdida e voltar à vida quem a perdeu. Simbólico, claro. Ninguém vai sair por aí levantando mortos e criando um apocalipse zumbi. Mas é possível revitalizar tantas outras coisas!
Na semiótica da chamada Semana Santa temos uma ordem das coisas. Primeiro Endoenças, período de indulgência, de perdão, de limpeza de desavenças passadas. Em seguida Aleluia, dia de alegria, de cânticos e glorificações pelo ressurgimento que há de vir, seja do que for. Mesmo que a cultura popular tenha convertido esse dia em simplesmente “Dia de Malhar o Judas”. E, finalmente a Páscoa, o dia da ressurreição, dia em que tudo se renova, revitaliza, revigora, ressurge para reiniciar direito, talvez desta vez dê certo, quem sabe começando de outro jeito a gente faça funcionar. Seja o que for.
Neste momento penso se não devíamos aplicar essas ideias em qualquer coisa. Se o caminho para que algumas coisas se acertem não passa exatamente por aí.
Por exemplo.
Tenho uma ideia do que é certo. Arrebanho um grupo que compartilha das minhas convicções e das minhas intenções. Começamos a botar em prática o que achamos certo. Com isso assumimos um comando que até o momento ninguém tinha, uma vaga a ser preenchida na elaboração do Certo. Mas todo mundo sabe que não existe O Certo. Quando muito existe UM Certo. O meu é um. Outras pessoas podem não achar que o meu certo seja O Certo. Não são pessoas más. Não são pessoas vis. Não são menos do que eu. Só pensam de maneira diferente. Mas eu estou no comando. Eu e meu grupo temos certeza de que sabemos qual é o único Certo e consideramos qualquer oposição uma afronta não a nós mas ao Certo. Uma ilegitimidade. E isso não pode continuar. Começamos a penalizar os opositores. Eles, por sua vez, se achando certos, mas sem o poder de comando do meu grupo, sentem que só lhes resta a guerrilha, minar o grupo oposto, reclamar, xingar, fazer oposição velada pra não sofrer consequências. Meu grupo, por sua vez, se sente ultrajado por estar sendo traiçoeiramente difamado por gente que não quer que O Certo vença. E essa batalha subterrânea pode durar anos, décadas!
É aí que entra meu pensamento no tríduo. Endoenças, ou seja, Indulgência. Bom período pra todos pensarem em serem mais indulgentes. De todos os lados. O grupo opositor pode exercer essa indulgência apagando mágoas, deixando de lado pequenas ofensas, esquecendo que o outrora amigo fez isso ou aquilo com ele. O amigo não fez com ele. Fez em nome de um Certo que ele acredita ser único. O meu grupo hipotético, o do comando, pode se mostrar indulgente com uma atitude grandiosa que pode até ficar bonita na foto final: anistia! Afinal, tudo saiu como eu encaminhei, o grupo que se opunha a mim e que agiu de um jeito que eu tinha decretado que era O Errado não prejudicou nada, não impediu nada, não evitou o final. O Poder exercido pra ajudar, pra dar a mão, pra elevar é mais respeitado do que o poder exercido pra massacrar, castigar, devastar.
Mágoas esquecidas, supostos males anistiados, acabou o período de Endoenças. Podemos entrar em tempo de Aleluia, festivo, com todos participando da festa pra, em seguida, começarmos uma Páscoa, uma renovação, uma ficha limpa pra ser preenchida por todos e cada um com novas atitudes. Novos acertos e novos erros. Mas que seja tudo novo!
Ressurreição já!